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Banco Digital Nomad levanta R$ 100 milhões para ser a conta digital em dólares dos brasileiros

Luiza Ferraz — Rio 29/7/2021
Depois de unir diversos restaurantes em um único app e mudar o mercado de delivery no país, o cofundador do iFood, Patrick Sigrist, agora quer mexer também na forma como o brasileiro planeja e executa seus gastos no exterior. Fundada com Eduardo Haber, que comandou as gestoras Advis e Tribeca Partners, a fintech Nomad quer ser a conta corrente digital dos brasileiros no mercado americano.

Para isso, a startup acaba de fechar uma rodada série A de US$ 20 milhões (cerca de R$ 100 milhões). O aporte foi liderado pela Monashees e pela Spark Capital, fundo que já investiu no Twitter e no Slack, com participação da Globo Ventures e outras cinco gestoras de venture capital.

A fintech, que foi estruturada em 2019 e lançada no ano passado, vai usar o capital para dobrar a equipe, chegando a 150 pessoas até o final do ano, e para o desenvolvimento de novos produtos e serviços, incluindo corretagem.

A proposta da Nomad é dar acesso a serviços e taxas mais competitivas para brasileiros que já fazem transações em dólares, seja em viagens, cursos ou ecommerce, que antes ficam acessíveis só a um público de renda maior, explicam os fundadores.

“Há também nichos de clientes que moram ou estudam fora, por exemplo, e precisam enviar ou receber dinheiro da família. Tem um mercado muito grande com o qual, hoje, ninguém está lidando e que antes era impossível de se fazer”, diz Sigrist. “Queremos democratizar esse acesso ao mundo financeiro global.”

A Nomad atua em parceria com a fintech americana Synapse, que fornece a plataforma bancária e permite a operação crossborder das mais de 50 mil contas já abertas no app brasileiro. A conta é gratuita e um cartão físico e virtual para as transações, que são aceitos em carteiras virtuais como o Apple Pay e em cerca de 20 países. Além de transferências e pagamentos, o app também dá acesso a alguns investimentos no mercado americano.

1 de 1 Patrick Sigrist, Lucas Vargas e Eduardo Haber, da Nomad: acesso a serviços financeiros globais — Foto: Divulgação
Patrick Sigrist, Lucas Vargas e Eduardo Haber, da Nomad: acesso a serviços financeiros globais — Foto: Divulgação

O CEO da companhia é Lucas Vargas, executivo que comandou o grupo ZAP por oito anos. Ele calcula que o custo médio para compras no exterior por meio da conta digital em dólar é 10% menor do que um brasileiro gasta hoje pagando com cartão de crédito. Isso porque um cartão de banco tradicional cobra entre 4% e 7% de spread cambial e há cobrança de 6,38% de IOF. O imposto cai para 1,1% sobre remessa em dólar e o spread da Nomad sobre o dólar comercial é de até 2%, segundo os executivos.

A reabertura dos países para viagens internacionais, conforme a vacinação de covid-19 avança, deve ajudar a aumentar a abertura de contas, na visão dos sócios – hoje, essa demanda tem sido voltada para as compras online.

“O conceito de banking as a service já existe e, à medida que vamos construindo serviços nessa plataforma e os clientes fazem uso dela, veremos players buscando oferecer essas soluções”, diz Vargas. Por isso, a fintech quer acelerar o passo e já fidelizar boa parte desse público. Expansão do serviço para novas moedas, como libra e euro, também estão no radar.

Na rodada, também participaram ONEVC, Propel, GFC, Abstract e Vast. A companhia já tinha recebido cerca de R$ 40 milhões de aporte até então, de acionistas como Norberto Giangrande, fundador da Rico, Marco Abrahão, da WHG Wealth Management, e José Leopoldo Figueiredo, fundador da Hedging-Griffo.